sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Válvula de Escape

Com o passar do tempo, as pessoas vão aprendendo a lidar com algumas coisas e vão aprendendo a se defender de outras. Eu acho que não aprendi nenhuma das duas coisas. Ainda não sei lidar com muitas coisas e não possuo as defesas necessárias para encarar a vida.

Tristeza. Isso é o que mais me derruba e me arrasa. Uma onda de tristeza me invade todos os dias e eu não sei o que fazer para impedir isso. Tudo o que eu faço é acolher e confesso que já me apeguei à ela. Quando sinto que ela está chegando, não faço nada para que ela se vá, eu simplesmente a abraço com todas as minhas forças.

E foi devido a isso tudo que eu passei a fazer uma coisa para diminuir toda essa tristeza. Um método bem eficaz, para falar a verdade, mas que deixa marcas físicas e mentais. Marcas que talvez nunca desapareçam. Não foi uma coisa boa e não é uma coisa que me faz bem, mas foi o que me aliviou. O que me deixou respirar sem sentir dor, o que fez meu coração parar de agonizar, o que me salvou de toda essa escuridão. Mas ao mesmo tempo, foi o que me afundou ainda mais na mesma.

Um corte é o suficiente para me livrar de tudo isso, o suficiente para me fazer voltar a realidade. Um corte é o suficiente para tirar temporariamente essa tristeza de minhas veias. Por onde deveria correr vida, só corre tristeza e solidão. Os cortes me deixam mais fortes naquele momento, mas me deixam cada vez mais dependentes deles. Sinto vontade de me mutilar por qualquer coisa que aconteça e me deixe para baixo. Solidão, torpor, saudades, tristeza...Tudo me dá vontade de fazer aqueles malditos cortes. Acho que está virando mesmo uma dependência.

O sangue talvez seja a melhor parte disso tudo. Parece que tudo o que eu sinto de ruim vai embora enquanto o sangue escorre por meu pulso. Literalmente uma válvula de escape para todos os problemas que me infernizam e me deprimem diariamente. E junto com o sangue que vaza pelo corte em meu pulso, uma parte de minha vida se vai também.

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