A calmaria depois da dor é reconfortante como um abraço quente em uma noite gélida. Como se tivessem soprado tudo aquilo que te causa um sofrimento absurdo para bem longe dali, como um sopro de vida tivesse lhe atingido repentinamente. Mas essa calmaria não dura. Logo ela se transforma em um misto de sensações variadas. Nenhuma delas boas, como o previsto.
O vento seco bate em meu rosto e o calor encontra meus olhos de uma maneira que os fazem sofrer. Parecem agulhas entrando no mesmo. Não, não é o calor do mundo da lá fora. Percebo que são as lágrimas atingindo meu globo ocular com fúria. Como se um leão quisesse fugir de sua jaula e fosse capaz de destroçar tudo o que visse pela frente. Eu luto fielmente com as lágrimas, mas é tudo em vão.
As horas se passam enquanto eu me acostumo com o buraco em meu coração. Buraco por onde tudo que existe dentro de mim vaza para um lugar desconhecido. Sorrisos, felicidade, amor...Tudo isso se deteriora nesse instante e tudo o que me resta são as lembranças. Lembranças de um tempo que não vai voltar, um tempo que parece fugir de mim enquanto eu corro desesperadamente atrás dele, tentando pegá-lo e trazê-lo de volta.
Tudo que me sobra são as cicatrizes. Tanto as físicas como as mentais. Mas ainda acho que aquelas marcas que ninguém vê são as piores. São essas que realmente te fazem lembrar de tudo que passou, de todas as lágrimas, as dores, as perdas, a solidão e o desespero. As marcas físicas são apenas uma pequena conseqüência disso tudo. Só aquela antiga história da válvula da escape.
E eu sento na beira da janela, esperando que isso tudo termine. Esperando que o dia termine e o ciclo se inicia mais uma vez. Estou preso neste labirinto de sofrimento, confusão e dor, e não há ninguém para me salvar. Tento quebrar as paredes, mas elas parecem cada vez mais resistentes. Ou eu simplesmente perdi a minha força tentando me manter de pé.
" Eu vivo condenado e sem saída de um passado que parece não ter fim. "
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