terça-feira, 16 de agosto de 2011

6 Months


O tempo passa rápido demais. Ainda não sei dizer se isso é uma coisa boa ou não. Lutei com todas as minhas forças para que algumas coisas ficassem onde deviam ficar, mas tudo virou de cabeça para baixo de uma hora para outra, e eu tive que me adequar às conseqüências disso tudo. Também não sei dizer se valeu a pena o sacrifício, ainda está muito recente para fazer isso.

Sei dizer que muita coisa mudou nos últimos seis meses. As coisas ao meu redor mudaram, as pessoas ao meu redor mudaram, e suas atitudes as acompanharam. Nem sempre eram atitudes boas, mas ninguém perfeito, não é mesmo? E o principal, eu mudei. Não, não foi uma daquelas mudanças grandiosas que me fazem ser uma pessoa melhor, eu só mudei meu ponto de vista. Aprendi a não me martirizar por coisas pequenas, aprendi a não sofrer por coisas desnecessárias e aprendi a ter um pouco mais de paciência. Confesso que a última levou um certo tempo, mas eu demoro mesmo a aprender as coisas.

Se teve uma coisa que eu não aprendi, foi a deixar de amar. Também não sei se é ruim. Às vezes parece péssimo, me sinto vulnerável, fraco e extremamente dependente. Mas às vezes, pensar em ser uma rocha fria e sem sentimentos não me parece uma idéia maravilhosa. Por mais que eu não costume me dar bem nessas coisas, eu gosto do que eu sinto. Me torna uma pessoa melhor, me torna vivo.

Os meses que passaram serviram para muita coisa. Pensei, chorei, briguei. Tomei atitudes que mudariam tudo para sempre, e elas realmente mudaram. Tudo voltará a ser como antes? Não sei, e pra falar a verdade, parei de me preocupar com o futuro. Pelo menos quanto a isso. Eu quero viver o presente, aproveitar cada momento, seja ele bom ou ruim. Quero rir o riso sincero e chorar a lágrima sofrida. Mas o mais importante de tudo, eu não quero que o tempo passe e tudo seja esquecido. Porque eu tenho certeza que nunca vou me esquecer dessas coisas.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Câncer

Não tinha lugar para ir, não tinha um lugar para correr e muito menos para me esconder. Soltei meus joelhos e os forcei a subir as escadas. O vento era gelado demais e fazia meu cabelo voar. Sentei-me no chão molhado e frio e deixei minha mente vagar.

Voltei para a época em que minha mãe ainda estava comigo e éramos uma família. Mas acho que voltei ao dia errado. Mamãe havia acabado de chegar do hospital e não me parecia nada feliz com o resultado. Ambos me excluíram da conversa sobre a doença dela, até parecia que eu não fazia parte daquela família que já foi perfeita um dia. Aparentemente perfeita, na realidade.

Ela estava com um tumor no lóbulo frontal e uma cura seria um milagre. Ela estava morrendo e não havia nada que eu pudesse fazer para parar o avanço desse tumor. Os dias passavam e minha mãe definhava cada vez mais, era como um suicídio inevitável. O corpo dela estava atacando-a com uma força absurda. Meu pai começou a beber e ser totalmente negligente comigo e até mesmo com minha mãe.

Com o passar do tempo, minha mãe mal conseguia sair de sua cama. Só saia dali para ir até a varanda e apreciar as estrelas. Era o que ela mais amava fazer e por mais que aquilo partisse meu coração em mil pedaços, eu a acompanhava. Passávamos horas sentadas ali, admirando cada estrela que aparecia ao anoitecer. Eu sempre fazia o mesmo pedido às estrelas, pedia que minha mãe ficasse mais tempo comigo. Sentia como se eu não tivesse aproveitado o tempo que tive com ela enquanto ela era saudável e sã.

E aí vem a pior parte de tudo. Meu pai trabalhava e chegava tarde em casa. Principalmente porque saía para beber e tentar esquecer dos problemas que o aguardavam em casa. Cheguei em casa na hora do crepúsculo, o céu estava lindo. Não ouvi barulho algum. Fui ao quarto de minha mãe e ela não estava deitada em sua cama, havia apenas um envelope ali. Eu não acreditei no que estava lendo e confesso que demorei para assimilar cada palavra, cada letra daquela carta. A caligrafia era borrada e tinham gotas de lágrimas manchando algumas delas.

Muita coisa mudou desde que meu cérebro mudou. Não agüentava mais ver seu sofrimento interminável, me desculpe. Não abra a porta do banheiro.
P.S. Eu te amo.”

Eu não a obedeci e corri para o banheiro. O caminho do quarto ao banheiro era interminável e mais parecia uma maratona. A porta estava trancada por dentro e eu batia nela enquanto gritava o nome de minha mãe. Meus esforços foram em vão. Fiquei sentada do outro lado da porta, chorando. As lágrimas escorriam de meus olhos como uma queda d’água.

Lutei comigo mesma e tentei arrombar a porta mais uma vez. A maioria dessas tentativas foram em vão, mas no final a porta desistiu e me deixou abri-la. Ou simplesmente teve pena de mim. E eis a visão que vi. Minha mãe estava pendurada pelo pescoço por uma gravata. A gravata de meu pai que ela mais odiava e ele teimava em usar. Ela tinha um sorriso nos lábios. Talvez quisesse mostrar que estava feliz por acabar com o seu sofrimento, mas eu tenho certeza que ela fez isso por mim. Para que eu não tivesse uma última visão tão perturbadora. Acho que não deu muito certo, eu nunca mais me esqueceria dessa cena e a veria pendurada todas as vezes que fechasse meus olhos.

O tempo foi passando e meu pai foi apenas piorando. Entristecia-me vê-lo daquele jeito, se afundando cada vez mais em um poço de solidão, tristeza e álcool. Eu queria ajudá-lo de alguma maneira, mas ele se esquivava cada vez mais de mim. Aprendi a me virar sozinha e a ser sozinha. Com o passar do tempo, me tornei algo parecido com ele.

A dor era latente e nunca ia embora, como se eu estivesse com uma faca em meu coração o tempo todo. Eu tinha apenas quinze anos e minha vida já era conturbada desse jeito. Eu queria fugir para longe daquele lugar que me deprimia. Dormia na cama dos meus pais quando meu pai não estava em casa. Era uma forma de me aproximar de minha mãe. Só queria dormir ali para sempre...

Voltei a mim quando a chuva voltou, forte demais para agüentar ali. Estava tão anestesiada e entorpecida que o frio mal me incomodou. Caminhei pelo telhado do prédio. Andei em círculos e brinquei com a água que se empoçava lá encima. Tive uns minutos de infância. A infância que a vida não quis me dar.

Andei até a beira do prédio e olhei a vida passando lá embaixo. Me perguntei o que motiva as pessoas à viverem e não consegui encontrar um resposta convincente. Fechei os olhos e senti a chuva bater em meu rosto enquanto o vento fazia meu cabelo chicotear forte. Muitas vezes ele batia no meu rosto e isso me causava dor, mas eu não estava me preocupando com isso.

Voltei minha atenção para vida lá embaixo e vi minha mãe. Ela me olhava com um olhar triste e parecia que abria os braços para mim, lentamente. Fiquei feliz em vê-la e cheguei ainda mais perto da beira do prédio. Agora ela me encarava com um olhar de reprovação, como se dissesse para eu não fazer aquilo. Eu dei mais um passo. Se desse mais um passo, encontraria minha mãe. Olhei para trás e me despedi mentalmente de meu pai. Só espero que ele fique bem depois disso tudo.

Fechei os olhos e dei o último passo. O vento batia mais forte ainda em meu rosto enquanto eu descia os andares em alta velocidade. Abri os olhos e minha mãe estava chorando. Abri meus braços e abracei com força.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Uma vida no escuro

A calmaria depois da dor é reconfortante como um abraço quente em uma noite gélida. Como se tivessem soprado tudo aquilo que te causa um sofrimento absurdo para bem longe dali, como um sopro de vida tivesse lhe atingido repentinamente. Mas essa calmaria não dura. Logo ela se transforma em um misto de sensações variadas. Nenhuma delas boas, como o previsto.

O vento seco bate em meu rosto e o calor encontra meus olhos de uma maneira que os fazem sofrer. Parecem agulhas entrando no mesmo. Não, não é o calor do mundo da lá fora. Percebo que são as lágrimas atingindo meu globo ocular com fúria. Como se um leão quisesse fugir de sua jaula e fosse capaz de destroçar tudo o que visse pela frente. Eu luto fielmente com as lágrimas, mas é tudo em vão.

As horas se passam enquanto eu me acostumo com o buraco em meu coração. Buraco por onde tudo que existe dentro de mim vaza para um lugar desconhecido. Sorrisos, felicidade, amor...Tudo isso se deteriora nesse instante e tudo o que me resta são as lembranças. Lembranças de um tempo que não vai voltar, um tempo que parece fugir de mim enquanto eu corro desesperadamente atrás dele, tentando pegá-lo e trazê-lo de volta.

Tudo que me sobra são as cicatrizes. Tanto as físicas como as mentais. Mas ainda acho que aquelas marcas que ninguém vê são as piores. São essas que realmente te fazem lembrar de tudo que passou, de todas as lágrimas, as dores, as perdas, a solidão e o desespero. As marcas físicas são apenas uma pequena conseqüência disso tudo. Só aquela antiga história da válvula da escape.

E eu sento na beira da janela, esperando que isso tudo termine. Esperando que o dia termine e o ciclo se inicia mais uma vez. Estou preso neste labirinto de sofrimento, confusão e dor, e não há ninguém para me salvar. Tento quebrar as paredes, mas elas parecem cada vez mais resistentes. Ou eu simplesmente perdi a minha força tentando me manter de pé.

" Eu vivo condenado e sem saída de um passado que parece não ter fim. "

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Monophobia


Se existe uma coisa que me resume, essa coisa se chama medo. Sou a pessoa mais assustada que pode existir e eu não me envergonho disso. Não tenho vergonha de dizer que tenho muitos medos e que alguns deles me controlam.

Tenho medo do escuro, medo do desconhecido, medo de lugares pequenos e apertados, medo de lugares grandes e vazios, medo de ser enterrado vivo, medo de insetos, medo de me esquecer, medo de amar, medo de ser amado e não saber lidar com isso. Tenho medo de ser notado demais e medo de ser esquecido.

Mas o maior medo que tenho, é o de ficar sozinho. Sei lidar bem com os outros medos, já fazem parte do meu dia-a-dia. Mas a solidão é o pior de tudo isso. Não quero passar a minha vida reclamando de coisas e sonhando com coisas impossíveis. Quero alguém para caminhar comigo, para me dar as mãos, para me abraçar e erguer meu mundo quando tudo parece não ter sentido algum.

Eu já encontrei essa pessoa, mas ela ainda não me encontrou.
É estranho quando tudo que se encontra à sua volta te faz lembrar uma pessoa. Um lugar, uma música, uma hora, um cheiro. É uma sensação esquisita, mas chega a ser boa. Claro que isso tudo depende do ponto de vista que se vê. É bom, mas um tanto doloroso também. Por que? Te faz lembrar a pessoa, o que quer dizer que ela não está ali como você queria.

E aí você lembra de momentos. Tardes fazendo absolutamente nada, risadas sem nenhum motivo aparente, noites tranquilas e até mesmo aqueles dias ruins, mas que aquela pessoa deixa melhor. Nostalgia. Sim, ela precisa fazer uma visita. A visita que te destrói, te mata lentamente e depois te abandona em cacos. Como se você fosse um espelho e esse espelho tivesse sido jogado no chão. Seus pedaços ficam espalhados por todo lado e é difícil juntá-los com o passar do tempo.

As lembranças são tudo o que temos. Fico me perguntando o que eu seria se me esquecesse de alguns momentos, e realmente não sei a resposta. Eu tenho uma teoria para isso tudo e acho que é verdadeira, pelo menos para mim. Só percebo que um momento foi feliz depois que ele se passa, e acho que a memória serve para isso. Tornar uma coisa que nem foi tão boa assim em uma coisa maravilhosa, da qual você vai querer lembrar para o resto de sua vida.

Gosto de passar as horas me lembrando de alguns fatos. Fatos engraçados, ou não tão engraçados assim. Os tristes, os desesperadores, os românticos. Mesmo aqueles que eu nunca vivi. Na verdade, esses são os que eu mais gosto de me recordar. Aqueles momentos que eu sei que nunca vão acontecer, mas que eu sempre imaginarei acontecendo. Na minha cabeça, eu posso viver isso tudo. Posso ouvir um "Eu te amo" vindo da sua boca. Posso sentir isso no seu olhar. E posso encostar meus lábios nos teus.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Solitude

Estar sozinho sempre cansa. E cansa de uma maneira cruel e inevitável. Parece que quanto menos quero estar sozinho, mais o mundo conspira para me deixar sempre assim. E quando eu digo sozinho, digo no sentido de ter alguém, não simplesmente estar sozinho em algum lugar.

O que mais sinto falta é dar as mãos à alguém. Eu acho que não há prova de amor maior do que passar horas de mãos dadas ou passar horas abraçados, apenas sentindo a outra pessoa com você. Sentindo a respiração dela, sentindo a pulsação desconcertada e sentindo que a pessoa também te ama.

Gostaria de saber porque é tão difícil encontrar essa tal pessoa. Ou porque essa pessoa tem que ser logo aquela que não te quer. Pelo menos não do jeito que você a quer. E então eu fantasio. Passo horas imaginando como seria passar uma tarde abraçando-te, dando-lhe as mãos, entrelaçando meus dedos nos seus com uma força descomunal. Como se eu nunca fosse deixar-te ir embora. E eu queria fazer isso, de verdade.

A solidão me despedaça e me quebra em mil pedaços. Não sei mais se podem reparar-me, acho que já me quebrei demais. Hoje em dia eu só aguardo pelo dia que nunca vai chegar. Aquele em que você vai me olhar daquele jeito que diz "Eu te amo".

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Noites Frias

Gosto do silêncio das madrugadas. É suave como uma sinfonia melódica, daquelas que te dá vontade de morrer ouvindo. Tanto gosto desse silêncio, que me permito apreciá-lo todos os dias. É uma ótima hora para se pensar e colocar a cabeça no lugar. Ótima hora para chorar o que não consegue durante o caos do dia.

Também a hora mais torturante. A hora em que a minha carência aumenta potencialmente a cada segundo e tudo o que eu mais desejo nessa hora, é um abraço. Não, não um abraço. Aquele abraço. O que me faz esquecer de tudo que está a meu redor e me faz perder a respiração. E então eu abraço o travesseiro numa tentativa frustrada de suprir minha necessidade de você. Nunca dá certo.

Ouvir aquela música nessas horas, pode ser uma solução. Me lembrar de como você ama e sorri ouvindo essa música, me conforta um pouco. Mas nada como segurar suas mãos e sentir você perto de mim. Estou começando a aprender a lidar com essa distância. A única coisa que me mata são os sonhos.

Ah, os sonhos. Mal tenho palavras para dizer o quão são maravilhosos. E por que me matam? Porque eu sei que nunca se tornarão realidade, sei que aquilo nunca vai acontecer, você nunca vai me olhar daquele jeito, falar daquele jeito e nunca vai...É, os sonhos são perfeitos até a hora em que acordo. Às vezes eu queria dormir para sempre só para ficar nesses sonhos para o resto da vida. Não seria uma má ideia, mas isso é meio impossível.

E aí eu acordo no meio da noite, por volta das 4:00. Tudo que consigo fazer é olhar para o céu e admirar as estrelas, desejando estar em outro lugar. Tudo que quero é fugir dessa casa que me consome e me destrói lentamente. Fico me perguntando o que eu fiz para passar por isso tudo e juro que não consigo achar uma boa resposta. Acho que já estou me acostumando com isso tudo.

O vazio. Me visita todas as noites e é como se uma fenda se abrisse em meu peito, sugando tudo que ainda me resta. Eu abraço meus joelhos e imploro para essa sensação ir embora, mas ela nunca me obedece. Vazio é pior que tristeza. Já sei lidar com a tristeza, mas o vazio me pega de surpresa e sempre vem com uma força avassaladora.

E então o sol nasce e estou preparado para esse ciclo novamente.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Fake Smile

Sempre fui péssimo em expressar meus sentimentos, e quando o fazia, ninguém dava a importância necessária. Ou mal me ouviam, ou só me colocavam cada vez mais para baixo. Às vezes eu realmente acho que as pessoas gostam de me afundar cada vez mais. E então eu aprendi a fazer o que mais me sufoca e me mata lentamente: Guardar tudo o que sinto para mim.

Os reflexos disso estão por toda parte. Sorrisos verdadeiros que não costumam aparecer em meu rosto, lágrimas de puro sofrimento que rolam pelas minha bochechas com uma frequência absurda e marcas. Muitas marcas.

Isso me fez ficar cada vez mais sozinho e perdido em mim mesmo. Me afundo cada vez mais em meus pensamentos e na minha dor, e isso me afasta cada vez mais da realidade.

E então eu aprendi a atuar, aprendi a forçar um sorriso em meu rosto. Com um sorriso no rosto, ninguém presta atenção no vazio dos meus olhos. No torpor que eles expressam e na tristeza marcada em meus pulsos.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Válvula de Escape

Com o passar do tempo, as pessoas vão aprendendo a lidar com algumas coisas e vão aprendendo a se defender de outras. Eu acho que não aprendi nenhuma das duas coisas. Ainda não sei lidar com muitas coisas e não possuo as defesas necessárias para encarar a vida.

Tristeza. Isso é o que mais me derruba e me arrasa. Uma onda de tristeza me invade todos os dias e eu não sei o que fazer para impedir isso. Tudo o que eu faço é acolher e confesso que já me apeguei à ela. Quando sinto que ela está chegando, não faço nada para que ela se vá, eu simplesmente a abraço com todas as minhas forças.

E foi devido a isso tudo que eu passei a fazer uma coisa para diminuir toda essa tristeza. Um método bem eficaz, para falar a verdade, mas que deixa marcas físicas e mentais. Marcas que talvez nunca desapareçam. Não foi uma coisa boa e não é uma coisa que me faz bem, mas foi o que me aliviou. O que me deixou respirar sem sentir dor, o que fez meu coração parar de agonizar, o que me salvou de toda essa escuridão. Mas ao mesmo tempo, foi o que me afundou ainda mais na mesma.

Um corte é o suficiente para me livrar de tudo isso, o suficiente para me fazer voltar a realidade. Um corte é o suficiente para tirar temporariamente essa tristeza de minhas veias. Por onde deveria correr vida, só corre tristeza e solidão. Os cortes me deixam mais fortes naquele momento, mas me deixam cada vez mais dependentes deles. Sinto vontade de me mutilar por qualquer coisa que aconteça e me deixe para baixo. Solidão, torpor, saudades, tristeza...Tudo me dá vontade de fazer aqueles malditos cortes. Acho que está virando mesmo uma dependência.

O sangue talvez seja a melhor parte disso tudo. Parece que tudo o que eu sinto de ruim vai embora enquanto o sangue escorre por meu pulso. Literalmente uma válvula de escape para todos os problemas que me infernizam e me deprimem diariamente. E junto com o sangue que vaza pelo corte em meu pulso, uma parte de minha vida se vai também.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sunrise, Sunset.

Engraçado como eu fico quando estou ao seu lado. Parece que posso morrer a qualquer momento. Não, isso não é uma coisa ruim, arriscaria dizer que é uma coisa muito boa. Eu sinto uma falta de ar esquisita, como se eu não me lembrasse como se respira. Meu coração bate tão rápido, que pode parar de bater quando eu menos esperar. E minha cabeça. Ah, essa é a parte mais engraçada. Ou não, mas tudo bem. É como se eu não conseguisse pensar direito, como se tudo à minha volta fosse insignificante. Como o mundo fosse eclipsado pelo seu sorriso.

O sol não costuma nascer quando você não está comigo. Não a estrela que alimenta um sistema inteiro, e sim o que me alimenta, o que me mantém vivo. Dias cinzas e nuvens pesadas perduram. E então eu te vejo e todos aqueles clichês ridículos passam a fazer total sentido. É como se o sol realmente estivesse nascendo.

E então chega uma hora que você precisa ir embora, e essa é a parte que eu mais odeio. Eu não gosto de dizer 'tchau' para a minha vida, mas infelizmente é necessário. É péssimo te ver ir embora e não poder pedir para ficar mais. Péssimo te ver ir e não ter falado o que eu sinto mais uma vez, péssimo não poder ir com você. Eu só queria ficar ali, com você, para todo o sempre.

E aí você vai e leva tudo o que me faz bem com você. Passo em noite em claro, me lembrando de cada momento que tive com você. Me lembrando de como seus olhos são hipnotizantes, de como seu sorriso é perfeito e me faz sorrir. Me lembrando de como meu coração dispara quando nos damos as mãos por uma fração de segundo. E de como eu perco o ar quando você chega trazendo toda a minha felicidade com você.

A verdade é que você leva meu coração com você todos os dias e parece que não se lembra que precisa devolvê-lo. Mas você pode ficar com ele, só não o machuque demais.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Bolha

É triste quando você percebe que é melhor viver na sua cabeça do que encarar o mundo lá fora. É triste, mas é bem melhor do que simplesmente acordar para a vida que te aguarda.

Sei bem como as coisas funcionam, sei bem como as pessoas são e sei bem como elas costumam ser egoístas. E para falar a verdade, eu sei ser como elas. Eu simplesmente não quero me misturar, não quero ser como o resto, não quero ser apenas mais um. Quero ser diferente e luto para que isso aconteça todos os dias, e isso me machuca. Me machuca muito.

Além disso tudo, a vida sempre me mostrou que eu nunca vou conseguir o que eu quero. Nunca vou conseguir o que eu mais quero. E então eu desenvolvi o meu próprio mundo. Um mundo onde tudo acontece, um mundo onde eu sou o que eu realmente quero ser, um mundo onde eu posso falar o que penso, onde faço o que quero fazer e um mundo onde eu tenho quem eu mais quero ter.

E eu não recomendo isso, não mesmo. Essa é atitude que um covarde toma. E é realmente isso que eu sou, um covarde. Me esquivo, me escondo, corro. Corro de tudo e todos, corro de mim mesmo, corro dos meus sentimentos. Mas eles sempre estão lá para me atormentar. Eu não posso me esconder dos monstros que eu mesmo criei.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Odeio Não Odiar

Eu odeio pensar em você o tempo todo.Odeio sonhar com você todos os dias.Odeio a reação do meu coração quando ouço teu nome e odeio mais ainda como ele se comporta quando te vê.Odeio me derreter sempre que vejo seu sorriso e odeio te ver mal sem poder ajudar.
Odeio quando não te vejo, mas odeio te ver sempre.Odeio quando vai embora e me deixa sozinho.Odeio quando me priva dos seus abraços e odeio quando não me deixa te tocar.Odeio como seus lábios me chamam e odeio não poder tocá-los.Odeio como ganho o dia apenas ouvindo sua voz.
Odeio ser a opção e a prioridade.Odeio não tirar você da minha cabeça nem por um minuto.Odeio escrever seu nome em todo pedaço de papel que vejo.Odeio quando é irritante mas odeio quando age com seriedade demais.
Odeio não ter vontade de te odiar.Odeio não conseguir te odiar.Odeio não conseguir te esquecer e odeio como meu mundo girar ao seu redor.E odeio ainda mais o fato de não deixar te amar.


domingo, 2 de janeiro de 2011

Automático

Às vezes me sinto como um robô. Como se tudo que fizesse não tivesse fundamento, fosse completamente sem sentido.
Acordo, vou para a escola, como,durmo,escrevo,respiro,vivo...Faço isso tudo da maneira mais automática possível.
Queria possuir a maior qualidade (ou defeito) de um robô. Gostaria de não sentir emoções.São elas que me fazem lembrar que ainda estou vivo e são as mesmas que fazem pensar no por que de estar vivo. Sempre que paro para pensar nisso, não consigo achar uma resposta boa e convincente.
A verdade é que estamos apenas andando nesse mundo sem um rumo certo. Não passamos de carcaças que pensam.Ou pensam que pensam.
Só gostaria de saber quando essa caminhada termina...